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CAJUQR 37
Texto da exposição

Aquilo que permanece em Ciro

Texto de parede

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Texto da audiodescrição

Aquilo que permanece em Ciro.

Para Ciro Fernandes, a arte nasceu também de um vínculo afetivo. Mais do que sua primeira referência artística, Maria do Socorro Cavalcanti foi a pessoa com quem descobriu no desenho e na pintura uma forma de partilhar o mundo. Entre mãe e filho, a arte se tornou uma linguagem de afeto, descoberta e cumplicidade.

Essa relação parece ter deixado marcas que ultrapassam as lembranças da infância. A sensibilidade para o feminino, tão presente na vida e na obra de Ciro, encontra nesse vínculo uma de suas raízes mais profundas. Ao longo de sua trajetória, as mulheres ganharam inúmeras formas em suas criações, revelando diferentes olhares sobre a feminilidade, a beleza, a força e o mistério.

Assim como o caju, que continuou aparecendo em suas xilogravuras mesmo quando os temas já não remetiam diretamente ao sertão, certas imagens parecem acompanhá-lo por toda a vida. São traços de uma memória que não ficou no passado, mas encontrou novas maneiras de existir em sua arte.

Talvez seja essa uma das dimensões mais íntimas da obra de Ciro: a capacidade de transformar aquilo que viveu e amou em imagens que permanecem.

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