Três Graças
Ciro Fernandes · Xilogravura e matriz em cedro, 1994


Texto da audiodescrição
Três Graças, de Ciro Fernandes. Xilogravura, de mil novecentos e noventa e quatro, com setenta e quatro centímetros de largura por duzentos e quinze de altura. E Três Graças, matriz, de mil novecentos e noventa e quatro. Matriz em cedro, com setenta e dois centímetros de largura por duzentos de altura. Núcleo As Mulheres.
Tema recorrente na história da arte, as Três Graças têm origem na mitologia greco-romana e representam a beleza, a alegria e a harmonia.
Na interpretação de Ciro Fernandes, as figuras clássicas ganham uma identidade brasileira: três mulheres de corpos alongados, mãos entrelaçadas e rostos de perfil, reunidas em uma composição que sugere movimento, como uma dança de roda.
A obra foi produzida a partir de uma grande matriz de xilogravura, entalhada em uma antiga porta de madeira. Exposta junto à impressão, a matriz permite conhecer de perto o trabalho de gravação realizado pelo artista e a transformação da madeira em imagem.
A xilogravura é muito alta e estreita, impressa em violeta sobre papel branco, e mostra três mulheres nuas.
No alto, uma mulher de frente, com o rosto de perfil e os cabelos soltos, voando para o lado. Ela abre os braços e desce como se flutuasse, com as pernas longas apontadas para baixo.
Embaixo, duas mulheres de pé, uma de cada lado, inclinam a cabeça para trás e olham para ela. Com um braço erguido, cada uma segura uma das mãos da mulher de cima. Com o outro, as duas se dão as mãos, embaixo, no centro.
Os braços e as mãos unidas formam um grande círculo, como uma roda. Linhas finas do entalhe marcam o contorno dos corpos, dos seios e dos cabelos.
Ao lado da gravura está a matriz, feita na antiga porta. As três figuras aparecem em relevo, pintadas de violeta, e o fundo rebaixado deixa ver a madeira marrom, marcada por veios escuros e pelos cortes do entalhe. Passe as mãos com cuidado para sentir o relevo das figuras.